Aconteceu que antes da chegada
dos pequenos, era apenas uma reunião familiar como outra qualquer de Natal, no
entanto a partir do momento, que eles foram chegando, pensamos que além do
tradicional amigo secreto, era preciso fazer algo que marcasse o natal das
crianças, e foi onde imbuídos de um sentimento fraternal, resolveram montar a
brincadeira...
A princípio foi comprar o traje,
depois os acessórios, combinar com todos os pais em relação aos presentes, para
que todos trouxessem na véspera e obviamente escolher o representante, e, olha
tarefa difícil essa, pois todos se recusavam, alegando não levar jeito, vergonha,
timidez, enfim cada qual com sua desculpa, no entanto alguém precisava tomar a
dianteira disso, e já que ninguém se manifestava, ficou combinado que seria o
pai de alguma das crianças, e que se não houvessem voluntários, seria pego “a
laço” mesmo, na hora “H’...
Depois de algumas tentativas, por
fim, eis que surge um voluntário, daí foi questão de combinar os detalhes,
colocar os presentes no saco, preparar um local reservado para ficarem as
escondidas, e esperar ser chamado...
Enquanto isso, o alvoroço era
total na ante-sala, pois eram vários olhinhos brilhantes, sorrisisinhos e
gritinhos a todo instante, aquela alegria inocentes, e a ansiedade era geral:
- Será que ele vai trazer o meu
presente?
- Ai, e eu? Será que não vai se
esquecer do meu?
- Bom, eu me comportei o ano todo,
fui bonzinho, sei que ele vai me dar o meu... rs
- Oh... Eu, nem tanto, sei que
aprontei algumas, será que vai se lembrar de mim?
- Eu, fui ao Shopping com a minha
mãe, peguei aquela filona enorme, mas consegui, vi ele bem de pertinho, ele me
pegou no colo, perguntou se tinha sido bonzinho o ano todo, e me perguntou o
que eu queria ganhar, daí, falei tudinho o que eu queria ganhar...
- Ah... Mais eu também, além de
tirar a foto com ele, deixei lá minha cartinha, eu e minha irmã escrevemos ela
todos os anos, assim que ele aparece na televisão, minha mãe nos ajuda a
preparar a cartinha e entregamos na mão dele, por isso, sei que o meu presente,
ele não vai esquecer...
Era um tal de se correr pra lá e
pra cá, para descobrir de onde ele viria, seria do teto? Da rua, do portão? Os
mais velhos sabiam e diziam aos pequeninos:
- Claro que ele vem da rua,
lógico, neh? Hoje em dia não existem mais chaminés, isso é coisa dos desenhos,
vocês sabem...
- Pra mim, não importa, desde que
traga o meu presente...
Eis, que nessa impaciência,
alguém avisa:
- Criança Já está quase na hora
do Papai Noel chegar, e ai, quem foi bonzinho esse ano?
- E elas em coro:
- Eu.., eu...e eu também...
- Está bem, então, pelo que
notei, TODAS se comportaram o ano todo, certo? Então é só esperar, pois Papai
Noel, já está prestes a chegar e ele está com o saco cheinho de presentes pra
entregar a todos vocês...
-
Uebááááaá.........Vivaaaaaaaaaa....ele já chegou? Onde ele está? Como ele veio?
Tem trenó? E as Renas, elas existem mesmo? É, verdade?
- Calma crianças, uma pergunta de
cada vez... Vou explicar...
- O Papai Noel, mora muuuuito
longe daqui, e precisa ir a vários lugares para entregar presentes para as
crianças do mundo todo, por isso, ele virá, mas não poderá demorar muito, pois
precisa continuar entregando presentes a outras crianças nos outros lugares...
Então, peço que todas agora, sentem-se, e abram a passagem, pois ele está
prestes a chegar...
Antes de toda essa preparação,
foi combinado com os pais e os irmãos mais velhos das crianças que a identidade
do “Papai Noel”, seria preservada, que mesmo sabendo de quem se tratava, nunca
diriam quem é, esse seria o segredo todos os anos, para manter a magia entre os
pequeninos, e também porque independentemente de quem se passasse por ele,
naquele momento, este seria verdadeiramente o Papai Noel, por isso, o nome era
indispensável...
Acordo feito e aceito, o “Papai
Noel” já havia se trocado, colocado os acessórios, o saco já estava cheio,
faltava apenas à barba, e a barriga postiça... E é claro, não poderia faltar o
sininho, afinal era ele que anunciaria sua presença ali...
Na outra sala, alguém avisa...
- Pessoal, o Papai Noel chegou!
- Eeeeeehhhhh....e os pais começam
a puxar o grito de guerra, acompanhados pelas crianças em euforia total;
- PAPAI NOEL, CADÊ VOCÊ, EU VIM
AQUI SÓ PRA TE VER!!!...e isso, se repetia com entusiasmo ao som de uma centena
de palmas, e a alegria ia aumentando a medida que se começava a ouvir o som do
sininho que tilintava fortemente no ar,e todos procuravam de onde viria o
som...
Uns, olhava pra fora da casa,
outros buscavam com olhar na porta da sala, outros olhavam para todos os lados,
de onde ele viria, afinal? E o sininho continuava tilintando cada vez mais forte...
Até que do alto da escada, que dava entrada para laje superior no quintal, eis
que surgem duas botas pretas que iam descendo lentamente, adornadas pela roupa
brilhante vermelha, e a figura do bom velhinho surge diante de todos, com o
saco cheio de presentes, a dizer o famoso:
- Hou, Hou, Hou...Feliz Natal
Crianças...
A emoção foi geral, as crianças
gritando, felizes todas ao mesmo tempo, até os adultos, se deixaram levar pela
emoção do momento, os olhares todos se voltaram para aquela figura doce e
alegre, e... Inacreditável, mesmo sabendo quem era, naquele momento, algo mágico
parecia ter acontecido, pois para todos era verdadeiramente o Papai Noel que
chegou...
Ele foi conduzido para uma
cadeira confortavelmente preparada para recebê-lo, ao som de inúmeros gritos e
aplausos, sentou-se, e colocou o saco ao lado.
A assistente designada para ajudá-lo,
pediu que as crianças se sentassem e fizessem silêncio, pois ele iria falar e
fazer a entrega dos presentes:
- Feliz Natal Crianças, eu trouxe
presente para todos... Mas antes queria saber de vocês, e ai como foram durante
o ano, Se comportou?
- Siiiiiimmmmmm...
- Muito bem... Então vamos
começar...
A partir daí, deu seqüência á
entrega dos presentes, muitos com medo de se aproximar, assustados, pediam aos
pais para pegar os presentes, outros iam chorando no colo, outros iam correndo,
enfim, cada qual a seu modo, ia pegando o presente e saindo com aquela alegria
e emoção no olhar...
Feito a entrega, ele passou uma
mensagem ás crianças, desejou Feliz Natal a todos, e se foi rapidamente,
alegando ter ainda muitas outras casas a visitar...
Assim foi o primeiro natal com a
visita e a chegada do Papai Noel naquele lar, e daí em diante a magia se
repetia a cada ano, e mesmo as crianças que iam crescendo, iam alternando a
brincadeira com as recém chegadas, tinham em mente o segredo e o respeito de
manter a identidade secreta dele, pois sabiam que para elas Papai Noel existia
verdadeiramente falando, independente de ele ser fictício ou não, isso não
importava, pois o bom de tudo é manter a magia e a fantasia viva dentro do
coração, como uma chama que nunca deverá ser apagada.

