sábado, 17 de novembro de 2012

A espera de Papai Noel


Aconteceu que antes da chegada dos pequenos, era apenas uma reunião familiar como outra qualquer de Natal, no entanto a partir do momento, que eles foram chegando, pensamos que além do tradicional amigo secreto, era preciso fazer algo que marcasse o natal das crianças, e foi onde imbuídos de um sentimento fraternal, resolveram montar a brincadeira...
A princípio foi comprar o traje, depois os acessórios, combinar com todos os pais em relação aos presentes, para que todos trouxessem na véspera e obviamente escolher o representante, e, olha tarefa difícil essa, pois todos se recusavam, alegando não levar jeito, vergonha, timidez, enfim cada qual com sua desculpa, no entanto alguém precisava tomar a dianteira disso, e já que ninguém se manifestava, ficou combinado que seria o pai de alguma das crianças, e que se não houvessem voluntários, seria pego “a laço” mesmo, na hora “H’...
Depois de algumas tentativas, por fim, eis que surge um voluntário, daí foi questão de combinar os detalhes, colocar os presentes no saco, preparar um local reservado para ficarem as escondidas, e esperar ser chamado...
Enquanto isso, o alvoroço era total na ante-sala, pois eram vários olhinhos brilhantes, sorrisisinhos e gritinhos a todo instante, aquela alegria inocentes, e a ansiedade era geral:
- Será que ele vai trazer o meu presente?
- Ai, e eu? Será que não vai se esquecer do meu?
- Bom, eu me comportei o ano todo, fui bonzinho, sei que ele vai me dar o meu... rs
- Oh... Eu, nem tanto, sei que aprontei algumas, será que vai se lembrar de mim?
- Eu, fui ao Shopping com a minha mãe, peguei aquela filona enorme, mas consegui, vi ele bem de pertinho, ele me pegou no colo, perguntou se tinha sido bonzinho o ano todo, e me perguntou o que eu queria ganhar, daí, falei tudinho o que eu queria ganhar...
- Ah... Mais eu também, além de tirar a foto com ele, deixei lá minha cartinha, eu e minha irmã escrevemos ela todos os anos, assim que ele aparece na televisão, minha mãe nos ajuda a preparar a cartinha e entregamos na mão dele, por isso, sei que o meu presente, ele não vai esquecer...
Era um tal de se correr pra lá e pra cá, para descobrir de onde ele viria, seria do teto? Da rua, do portão? Os mais velhos sabiam e diziam aos pequeninos:
- Claro que ele vem da rua, lógico, neh? Hoje em dia não existem mais chaminés, isso é coisa dos desenhos, vocês sabem...
- Pra mim, não importa, desde que traga o meu presente...
Eis, que nessa impaciência, alguém avisa:
- Criança Já está quase na hora do Papai Noel chegar, e ai, quem foi bonzinho esse ano?
- E elas em coro:
- Eu.., eu...e eu também...
- Está bem, então, pelo que notei, TODAS se comportaram o ano todo, certo? Então é só esperar, pois Papai Noel, já está prestes a chegar e ele está com o saco cheinho de presentes pra entregar a todos vocês...
- Uebááááaá.........Vivaaaaaaaaaa....ele já chegou? Onde ele está? Como ele veio? Tem trenó? E as Renas, elas existem mesmo? É, verdade?
- Calma crianças, uma pergunta de cada vez... Vou explicar...
- O Papai Noel, mora muuuuito longe daqui, e precisa ir a vários lugares para entregar presentes para as crianças do mundo todo, por isso, ele virá, mas não poderá demorar muito, pois precisa continuar entregando presentes a outras crianças nos outros lugares... Então, peço que todas agora, sentem-se, e abram a passagem, pois ele está prestes a chegar...
Antes de toda essa preparação, foi combinado com os pais e os irmãos mais velhos das crianças que a identidade do “Papai Noel”, seria preservada, que mesmo sabendo de quem se tratava, nunca diriam quem é, esse seria o segredo todos os anos, para manter a magia entre os pequeninos, e também porque independentemente de quem se passasse por ele, naquele momento, este seria verdadeiramente o Papai Noel, por isso, o nome era indispensável...
Acordo feito e aceito, o “Papai Noel” já havia se trocado, colocado os acessórios, o saco já estava cheio, faltava apenas à barba, e a barriga postiça... E é claro, não poderia faltar o sininho, afinal era ele que anunciaria sua presença ali...
Na outra sala, alguém avisa...
- Pessoal, o Papai Noel chegou!
- Eeeeeehhhhh....e os pais começam a puxar o grito de guerra, acompanhados pelas crianças em euforia total;
- PAPAI NOEL, CADÊ VOCÊ, EU VIM AQUI SÓ PRA TE VER!!!...e isso, se repetia com entusiasmo ao som de uma centena de palmas, e a alegria ia aumentando a medida que se começava a ouvir o som do sininho que tilintava fortemente no ar,e todos procuravam de onde viria o som...
Uns, olhava pra fora da casa, outros buscavam com olhar na porta da sala, outros olhavam para todos os lados, de onde ele viria, afinal? E o sininho continuava tilintando cada vez mais forte... Até que do alto da escada, que dava entrada para laje superior no quintal, eis que surgem duas botas pretas que iam descendo lentamente, adornadas pela roupa brilhante vermelha, e a figura do bom velhinho surge diante de todos, com o saco cheio de presentes, a dizer o famoso:
- Hou, Hou, Hou...Feliz Natal Crianças...
A emoção foi geral, as crianças gritando, felizes todas ao mesmo tempo, até os adultos, se deixaram levar pela emoção do momento, os olhares todos se voltaram para aquela figura doce e alegre, e... Inacreditável, mesmo sabendo quem era, naquele momento, algo mágico parecia ter acontecido, pois para todos era verdadeiramente o Papai Noel que chegou...
Ele foi conduzido para uma cadeira confortavelmente preparada para recebê-lo, ao som de inúmeros gritos e aplausos, sentou-se, e colocou o saco ao lado.
A assistente designada para ajudá-lo, pediu que as crianças se sentassem e fizessem silêncio, pois ele iria falar e fazer a entrega dos presentes:
- Feliz Natal Crianças, eu trouxe presente para todos... Mas antes queria saber de vocês, e ai como foram durante o ano, Se comportou?
- Siiiiiimmmmmm...
- Muito bem... Então vamos começar...
A partir daí, deu seqüência á entrega dos presentes, muitos com medo de se aproximar, assustados, pediam aos pais para pegar os presentes, outros iam chorando no colo, outros iam correndo, enfim, cada qual a seu modo, ia pegando o presente e saindo com aquela alegria e emoção no olhar...
Feito a entrega, ele passou uma mensagem ás crianças, desejou Feliz Natal a todos, e se foi rapidamente, alegando ter ainda muitas outras casas a visitar...
Assim foi o primeiro natal com a visita e a chegada do Papai Noel naquele lar, e daí em diante a magia se repetia a cada ano, e mesmo as crianças que iam crescendo, iam alternando a brincadeira com as recém chegadas, tinham em mente o segredo e o respeito de manter a identidade secreta dele, pois sabiam que para elas Papai Noel existia verdadeiramente falando, independente de ele ser fictício ou não, isso não importava, pois o bom de tudo é manter a magia e a fantasia viva dentro do coração, como uma chama que nunca deverá ser apagada.




quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ser Criança



Existe uma criança dentro de você 
Se estás alegre, ela brinca, canta, ri e se diverte por qualquer motivo, irradia alegria, segurança, paz e amor a todos que a rodeiam... 
Se estás triste, ela chora, reclama, pede colo e carinho, faz “biquinho”, cara amarrada, cruza os braços, sapateia, esperneia e fica de mal de tudo e de todos... 
Se estás ausente, ela te chama, reclama pela sua companhia, grita, implora pela sua atenção, quer de volta a sua presença..., impertinente, não desiste, fica “cutucando”, faz de tudo pra chamar a sua atenção, as vezes ela chora, fica triste, desanimada, não quer fazer nada, não quer ver a ninguém, “emburrada”, fica na espreita e na espera, até você se despertar... 
Se estás preocupado, ela nem liga, finge não perceber, quer mais é brincar, se divertir, não quer perder tempo com isso, deixa pra lá... 
Se estás ferido...ai é que ela chora, quer colo, carinho, abrigo, implora por proteção... 
Ser criança é manter o riso puro, alegre e descontraído, sem se importar com a opinião alheia, e se fazer feliz a todo momento, procurando sempre o que nós dá  alegria e prazer, é encontrar meios de se divertir, inventando, criando, produzindo, construindo...é se desprender de tudo e de todos... Essa veracidade que distinguimos no rosto de uma criança, no olhar puro, nas palavras sinceras... É se entregar, deixando de lado medo e preconceitos, simplesmente vivendo... 
 Manter essa criança dentro de nós não requer prática, nem habilidade, pois por mais que a esqueçamos, ela não se esquece de nós, e ao contrário, clama, chama e implora o nosso amor, mantê-la viva e amada dentro da gente, independe de idade, raça, credo, cor culto ou religião, pois cada um tem a chave que abre o cofre para esse precioso tesouro que carregamos no fundo do nosso ser, é reavivar a mente e os pensamentos, abrir o coração, fazer as pazes com ela, dar o que a agrada, mesmo que seja vez ou outra, alimenta-la, dar carinho, abrigo, manter uma deliciosa harmonia com esse ser puro e inocente que habita dentro de nós, pode estar ai o segredo da tal chamada “felicidade”...

domingo, 7 de outubro de 2012

Berlinda


Colocaram o “Tutu” na berlinda...Era uma daquelas situações inesperadas...de repente o circo estava armado, os acusadores de um lado, o réu no centro, e a platéia acompanhava a tudo impotente,pois inicialmente, não se poderia opinar,já que o assunto era de ordem profissional...a coisa foi se agravando a medida que as ofensas e lavagem de roupa suja via internet e redes sociais iam se agravando, porque era ofensas desde que houve o desacordo comercial entre as partes, até os vínculos pessoais serem atingidos de uma maneira cruel, no intuito de remove-lo de tal atitude...
Os dias foram passando, e mais e mais ofensas eram trocadas, e agora, os ouvintes começaram a se manifestar, a princípio foi a mãe do garoto, que como qualquer mãe, correu em defesa do filho, sem pestanejar e começou a remoer assuntos do passado levando a diante no intuito de desarmar a parte ofensiva em questão...e mais respostas vinham a tona, cada qual defendendo seu ponto de vista, e o “Tutu” continuava na berlinda, impassível,sem se manifestar...
De repente, surge mais um personagem, que inquieto com toda aquela movimentação, lançou-se em defesa da parte contrária,porém sem ofender ou atacar o adversário, apenas tentando colocar os “pingos nos is”...mais nada de acordo das duas partes...os dias seguiram-se e quanto mais se falava, mais o assunto iam tomando peso e nada de um acordo, e agora as partes partiram para o lado pessoal, pois havia um vínculo familiar na questão...
Eis que finalmente “alguém” se manifestou,e com a sutileza e a maestria de um juiz, abordou a questão de uma maneira sábia e ponderada, fazendo com que as partes refletissem e se acalmassem...uma nova proposta foi elaborada, e o “Tutu” finalmente se manifestou e se defendeu como pode de tamanhas acusações revidando com a mesma dosagem de impropérios e insultos tanto como pode, de uma maneira cruel e impassível tal qual o fora almejado, resumindo, devolveu na mesma moeda, os insultos e ofensas a ele proferidos...
Não havia acordo de sua parte, voltar atrás jamais, dizia ele, poderia até ter ser enganado quanto á sua escolha, mas já havia feito, e agora não voltaria atrás, certo ou errado, só o futuro diria, ele já havia feito a sua escolha...
As partes então se aquietaram e resolveram que o circo deveria ser desfeito, a platéia retomaria a seu posto, e finalmente tiraram o “Tutu” da berlinda...
Interessante observar que qualquer história tem sempre os dois lados, e por mais que cada um considere que a sua parte é que a verdadeira, na realidade a verdade é uma só, ela é única e mais cedo ou mais tarde, ela sempre aparece...e que temos sempre os dois lados da moeda a oferecer, amor e ódio, sempre ali lado a lado,mas como é difícil mostrar o lado do amor, e como é facílimo mostrar o reverso da moeda, ou seja, o ódio, esse sim, é sempre o primeiro caminho que normalmente seguimos, sempre aquela idéia de que ofender e espezinhar o adversário fará com que ele se redime e volte atrás, quantas e repetidas vezes agimos assim, mesmo com as pessoas mais próximas, filhos,amigos, parentes, ao invés de remove-los com o amor, escolhemos o lado contrário...quem nunca esteve na berlinda? E quem nunca errou? E o voltar atrás, porque que tem que ser sempre tããão difícil, velho orgulho que nos corrói por dentro, simplesmente ter a coragem de fazer o caminho de volta, “contornar” a trilha e recomeçar...sempre o mais prudente...
Enfim...o duro é reconhecer isso no outro quando se está no lado contrário...o centro da berlinda é sempre difícil lugar de se estar e apenas quando já estivemos ali, conseguimos entender o quanto desconfortável ele o é...aprendizado e crescimento para todos, é o que precisamos aprender a retirar disso tudo, dentro ou fora da berlinda...

domingo, 9 de setembro de 2012

Auto de Agradecimento


Essa senhora de uma beleza perene, de gestos suaves, andar elegante e discreto, por onde passava , a todos cativava com seu sorriso puro e cristalino, olhar repleto de amor e bondade, de voz  terna e macia,  e que a todos se compadecia.  
Por onde passava, levava alegria e amor, vivia sempre a agradecer, abençoando a tudo e a todos os lugares por onde passava. Muitos por vezes não a entendiam,mas também não a repreendia,  pois ela agradecida falava  ás plantas quando as colhiam , donde tirava seus ungüentos que curava os males, e também o seu sustento por muitas vezes nas humildes refeições. 
Abençoava as flores que enfeitava e perfumava seu humilde lar. Agradecia ao sol porque renascia a cada manhã, renovando-lhe as forças ao trabalho diário do dia a dia, e também não se esquecia  de agradecer a chuva,que quando vinha, lavava os campos, os prados e as moradas, revitalizando a colheita, as plantas e a mãe natureza. Agradecia aos animais que proviam-lhe o sustento, oferecendo-lhe o leite, e por vezes á sua própria carne, embora dela não se alimentara. Agradecia a natureza bela e exeburante que partilhava de sua vida, dando-lhe sustento,descanso e prazer, agradecia ao labor do dia a dia, pois garantia assim o seu sustento, e quando á tarde a contemplar o por do sol que se estampava em meio aos pastoreios e se escondia por entre as ramas das oliveiras,a desabar em meio ao leito dos rios, ela cantava e contemplava aquela beleza rara que era divina e tão gratuita e sua alma se elevava de tanta doçura e  maguinitude externando a todos que a encontrava. 
Á noitezinha , quando voltava ao lar,  com seu bebezinho,  presente divino que enlaçava aos braços qual jóia rara, depositava-a em seu berço singelo repleto de amor, ela agradecia a casa, e aos utensílios que a serviam com alegria e dedicação, e  mesmo eles que se vozes tinham iriam lhe dizer: gratos senhora pela delicadeza e tanta nobreza com que nos cuida, nos trata e nos reanima a cada novo amanhecer. 
Findo dia,em suave prece ao criador, ela ainda  uma vez mais o agradecia, não só pela vida, mais pela saúde e a alegria dos seres amados por ele presenteados em sua sublime morada, e ainda assim antes do descanso merecido,ela também agradecia a cama que embora simples, a recebia e a acolhia seu corpo frágil por vezes tão cansado, que ela embalava seus sonhos para mais uma jornada de agradecimento ao pai que toda noite a velava seu sono como a lhe dizer: dorme em paz filha amada, que os anjos e eu  sempre te guia..., junto ao seu lado, jazia seu filho amado, parceiro eterno. 
A vida seguia, e era agora uma velhinha, que continuava a seguir sua trilha, até que numa noite, ela ressonou e seu corpo não mais levantou, seus olhos fechados agora, reabre num lindo amanhecer, ao ver seu filho amado de braços abertos a sua espera,mais uma vez a nobre senhora desperta, e uma vez mais,  antes de sair agradece, á casa singela que a recebera, aos móveis, as plantas, aos homens e animais, ao vento, ao sol, a chuva, a cidade, e ao planeta que a acolhera,  parte agora feliz, junto ao filho amado, nova jornada a seguir noutros campos, noutras paragens, a vida assim a espera.

Nota: A gratidão ao meu ver,  é um dos sentimentos mais belos e precioso que se não o temos, devemos aprender a desenvolver e a  cultivar.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Juli e Lelê




Passando uns dias na casa de minha irmã,não pude deixar de notar,uma amizade tão pura entre duas priminhas... Sabe aquela amizade que a gente parece estar grudado uma na outra, nessa fase de idade, que parece que não se sabe fazer nada, sem o que outro o acompanhe, era assim Julinha e Leticinha, carinhosamente eu batizei: Juli e Lelê...

Julinha, a mais velha, é toda suavidade e doçura, numa moreninha linda de olhos negros e serenos e cabelos longos do mesmo tom, rechonchuda da cabeça aos pés, sabe aquelas bochechas enormes irrestíveis que a gente tem que apertar, assim é essa moçinha, faceira, charmosa, e meiga como uma flor....Leticinha, o oposto, moleca travessa, veloz, serelepa, olhinhos espertos,cabelos escorridos da cor do mel, esguia feito a boneca que ela tanto aprecia...

Essas duas amigas-primas, se divertiam a valer, era de noite, era de dia, não se desgrudavam, coisa linda de se ver...Lelê, comandava, ao passo que Juli, acompanhava, tranqüila, serena, sem reclamar, se tinha vontades, quem saberia? A doce menina, de nada falava,nem ao menos comentava sobre a sua vontade, ao meu parecer, era todo entendimento e prazer que compartilhavam de todas aquelas brincadeiras, pois criavam, inventavam, fabricavam com aquele poder que só mesmo as crianças têm de se organizar e recriar as mais inusitadas brincadeiras...

Atento ás atitudes delas, era um ir e vir do apartamento, ora ficavam trancadas no quarto, de repente, passavam apressadamente e iam as duas prédio abaixo, no playground, aconteceu que nesses dias, Lelê havia ganho a primeira cachorrinha, que estava causando verdadeiro alvoroço apto a fora, aquela fase de adequação a novo território e o mais engraçado é que as duas, não suportavam a pobrezinha tentando abocanhar seus calcanhares, saiam gritando e aos pulos ao primeiro sinal de contato com a cachorrinha, que ainda bebê nada entendia, e parecendo notar o medo das duas, ao vê-las saia correndo em direção a elas abanando o rabinho, e obviamente era repelida instantaneamente...

Por conta disso, ficavam trancadas no quarto, mas não faltava animação, tudo essas amigas compartilhavam, e era assim, em dupla...elas acordavam juntas, se trocavam juntas, se “maquiavam” juntas, pois apareciam para almoçar todas maquiadas, eram lábios de bonecas pintadas tipo “Barbie” naturalmente da cor rosa bem forte a combinar com as sombras do mesmo tom, se perguntadas onde iam, diziam:
“ a lugar algum, é só para brincar mesmo“...rsrs...

A tarde, lá iam elas, naquela cumplicidade gostosa que dava gosto de ver...apareciam esfomeadas para o lanche da tarde, que compartilhavam com aquela alegria inocente, de achar graça em tudo, depois era banho, também as duas juntas, a noite, compartilhavam filmes e  mais tarde, eram livros que  abriam antes de dormir, elas tinham suas próprias regras, e quando menos se esperava, estava as duas a dormir e a ressonar no mesmo quarto e se possível na mesma cama, e  não era por falta de espaço que dormiam juntas, e sim, opção...

Ah....amizade de infância, cumplicidade, afinidades, bom demais, melhor quando perduram pela vida afora, quem nunca teve um amigo inseparável e quando este faz parte da família então...





quarta-feira, 25 de julho de 2012

Jadhe



Mônada verde do cerne da cor
Criando em vida, repleto vigor
Burilando  a mente, renasce semente
Coração valente,eterno labor
De tantos sabores, temores, e dores
Diagrama de vida, embora restrita
Polindo o destino, se faz reluzir
A chama divina, centelha de amor

Na idade tenra, que eu ministrei
Castelos de sonhos que eu divulguei
De fábulas e estórias que um dia eu contei
E muitos até que eu mesma inventei
Ninando teu sono, cantigas criei 
Em berço sereno,eu te embalei
Dos sonhos vividos eu compartilhei
Dos planos futuros, que eu desejei
O melhor dessa vida  pra ti eu sonhei

Revive na mente ainda criança
Na ponta do pé, exuberante ballet
Dançando pezinhos de bailarina
Doce menina, alegre desperta 
Cantigas de roda, de rosas em flor
Melodias perene, exala valor

Quisera sempre poder enxugar 
Teus olhos morenos,intensos de mar
Mostrando a fúria,e a inquietude
Que  ora é mansa, e tão recatada
Ora é ardida, se estás ferida
Dona e mestra de suas vontades
Revés de moinhos de sentimentos
Trazendo a tona todos seus tormentos
Canções ao vento se faz com o tempo

És filha amada, e tão desejada
Preciosa demais, jóia rara
Essência de vida, pedaço de mim
Por mais que te dizem, 
Que não é só teu
Eu reafirmo que é todo seu
O meu grande amor, 
Meu pensar, meu cuidar
Que em seu destino irei velejar

No seu lado sempre, eu hei de estar
Seguindo sempre o seu caminhar
Segue feliz pela sua  trilha
Que eu e os anjos sempre te guiam
Gema estimável que se chama filha
És Bia, bebê, Princepeza, firmeza

És doce menina, donzela, princesa
És forte, valente, és pedra, és Jadhe.



quarta-feira, 4 de julho de 2012

Trem Fantasma



Era tarde, e nada do professor terminar a bendita aula, justo naquele dia, sua amiga tinha que faltar...Finalmente soou o sinal...aff!!! Juntou rapidamente o material e saiu em disparada rua a fora...de longe ouvia a brincadeira da turma...
- Corre mesmo, se não vai pegar o trem fantasma...
Ainda tinha que agüentar isso,não bastasse o frio cortante, a solidão, fome...vamos lá, chegou o primeiro quarteirão...ninguém a vista, nem carro, rua deserta, as velhas casas abandonadas e sombrias de sempre...de repente, um ruído,um mal cheiro insuportável, e alguém se mexia...avistou na calçada, dois moradores de rua...cabelos em desalinhos, olhos esbugalhados, farrapos daquilo que deveria ter sido uma roupa, enrolados em farrapos de cobertores a se protegerem como podiam do frio...seu coração doía, ficava pequenininho a medida que passava apressadamente por eles, jamais se acostumaria com sena tão lamentável...enfim foram ficando para trás...
E agora, virar a esquina, mas peraí, gritos, palavrões, epa ! Briga a vista, mais essa agora, espiou atrás do poste, Meeuuu Deeeeuus, a essa hora e trombadinhas disputavam a socos e pontapés o que deveria ter sobrado, não dava pra saber se era droga ou alimento, mas realmente não ia pagar pra ver, era sair dali rapidamente, se eles a vissem, já era...deu meia volta, e “zás”,apelar para o plano B, pegar o atalho...agora sim, perderia mais tempo, a hora voava, e o temor aumentando, não podia perder o trem, se tivesse asas nos pés, levantaria vôo, porém o jeito era correr o máximo que podia...
De repente...vultos vindo a sua direção...aiaiaiai...e agora, o que seria???
Dois vultos enormes e bem maquiados diga se de passagem, aff!!! Travestis a vista, cabelos longos e louros, maquiagem carregadas, mini saia com top, num frio descomunal daqueles, como agüentavam??? Vinham alegremente conversando se equilibrando naqueles saltos descomunais...ela passou por eles como um raio, mas ainda os ouviu zombando...
- Vá pra casa menina, isso são horas, rsrsrsrs...eu, hein??? Rsrsrsrs....
O que acham que eu estou fazendo??? Idiotas...
Falta pouco agora, o muro da estação...Yes !, daria tempo, tinha que dar...apressou mais o passo, e agora...vixi...as prostitutas...oh...situação...velhas, algumas desdentadas, cabelos desgrenhados, batom excessivamente vermelhos,nos rostos excessivamente esquálidos, o que mais faltava aparecer...e o coração, novamente aquela dor aguda, e ele ficando pequenininho, preferia olhar na direção contrária, não conseguia encarar...
Avistou a estação...enorme, com a iluminação noturna parecia maravilhosamente bela, com aquela arquitetura em estilo inglês, estrutura metálica reforçando e embelezando todo o telhado enorme, coloração marrom, combinando com as paredes em amarelo,toda iluminada e acima da torre,o majestoso Relógio...e...olha a hora...é pegar as escadas e correr o máximo que podia...
- Barulho de trem ao longe...estaria chegando ou partindo...voou escada a baixo, enroscando na catraca...e mais um corredor, e o outro gigante, e agora o ultimo lance de escada, pior era a subida...aja...fôlego...mais um lance e o outro e agora o ultimo,e quando subiu...deu de cara com a porta, o trem estava de partida....
- Nããoooo, espera...que nada, o ultimo vagão sumia noite a fora...e agora, o que fazer???e se não tiver outro trem, ou pior, e se tiver só o bendito “trem fantasma”, o que fazer, encarar ou desistir, mas ficar ali, naquela estação gigante e sozinha...o que mais de pior poderia lhe acontecer...
Olhou ao redor, e nos bancos de madeira marrom, ninguém a vista, ou melhor,lá onde, avistava uma cabeça, toda encapuzada recostada, devia estar dormindo...bom...ao menos não estava só, já era um consolo, ou não...
Procurou manter a calma, era respirar e pensar, nada mais a fazer e esperar...
Os pensamentos bombardeavam-lhe a mente, e se vier o famoso “trem fantasma”, seria verdade ou mito...deixa pensar...
Bom,o pessoal dizia que era o último trem, e antigamente ele era o dos estudantes, porém, depois de muitos acidentes, brigas e mortes, ele fora abandonado, ninguém se atrevia a pega-lo, pois diziam que ouviam vozes vindo dos vagões, sem alma humana a bordo, ou até pior, os que se atreviam a pega-lo, eram empurrados por mãos invisíveis trilhos a fora...ouviam-se gritos, choros, lamentações vagões a fora...e agora...o que fazer???
Quer saber, nada ! é manter a calma, respirar e esperar e esperar e seja o que Deus quiser...
Os minutos se arrastavam, o silêncio incomodava, o frio era cortante, a escuridão dos trilhos ao longe, assustadora...depois do que se parecia uma eternidade de espera, um ruído no trilho ao longe...uma luz fraca que vinha se aproximando lentamente...finalmente, seria o trem?? A tortura acabara...sim,era ele, e agora, não sabia se ficava alegre, triste, o medo, mais uma vez o medo ia avolumando dentro de si....
Ele chegou lentamente, e foi parando, parecia estar completamente vazio...a porta se abriu, e ai, vou ou não vou?? Oh...duvida cruel...o negócio era encarar, como aprendeu desde criança, melhor encarar o medo de vez...então ta...lá vou eu...entrou e correu pro primeiro banco que viu, porém poderia escolher, estavam todos vazios...olhou ao redor, um ou dois passageiros sentados cada um na extremidade contrária...pareciam adormecidos, nem se deram conta que ela entrou...Meeeuuuu Deeeuuusss, isso seria bom ou mal, será que eram os tais fantasmas...seja o que for, não ia dar importância...apertou a bolsa contra o corpo, como a espantar o frio, e o trem partiu...
O barulho estridente dos trilhos, com as rajadas de vento que assoviava lá fora, era ensurdecedor, o chocalho dos vagões pra lá e pra cá, pareciam ninar o sono, ah...noutras condições, com certeza tiraria um cochilo, os olhos insistiam em fechar, e ela insistia em abri-los, imagina que ia arriscar dormir ali sozinha...nem pensar, era agüentar firme, as estações iam passando uma a uma, lentamente naquela maratona infernal que parecia não ter fim...situação, viu!!!
Enfim...ultima estação, e ainda estava viva...de vez em quando aparecia um ou outro passageiro trôpego que irrompia vagão a dentro a cada estação, mas isso não mais a assustava, ao menos não estava só...pensava...engraçado é que ninguém descia...estranho...chegou finalmente sua estação...aff!!! Mal esperou a porta a se abrir e desceu correndo...sobreviveu, se fosse esse o tal trem, era ela a sobrevivente...aff!! Teria história pra contar quando chegasse em casa, quer dizer, se chegasse, pois perderá também o ultimo ônibus, e agora era terminar a jornada a pé...mas isso não era nada, o pior já tinha passado, neh? Estava em seu bairro, conhecia-o como a palma de sua mão, nada mais poderia acontecer, e no máximo umas meia hora, estaria em casa e a salvo, vamos lá: “pernas pra que te quero”...e apressou o passo...falta pouco...
E foi atravessar a rua, e alcançar a esquina, um cachorro uivou solitário...aiaiaiai...essa não, de novo sozinha e tinha “pavor” de cachorro...dá nada não,é só um cachorro,virou a esquina e mais um e um, agora era um coro de latidos, o que fazer, correr? Sem chance, e se eles viessem atrás...bom o jeito era disfarçar e mais uma vez “pernas pra que te quero”...lá se foi rua a fora, sendo escoltada pelos cachorros todos da vizinhas...chegou finalmente, aff! Dentro de casa finalmente, que noite...acabou, tinha menos que 5 horas para descansar e recomeçar a maratona...ao menos tinha sobrevivido a tudo, inclusive ao bendito trem, que nem fantasma, nem nada, mito apenas, mais uma das muitas lendas urbanas...










sexta-feira, 29 de junho de 2012

Celebração a Vida


O sol abrilhantava a floresta, espalhando seus raios multicoloridos por entre as ramagens das árvores, delineando contornos suaves por entre suas copas, formando um espetáculo magnífico diante daquela vida latente que despertava preguiçosamente naquela manhã.
 Lentamente infiltrando-se por entre as rochas, nas cavernas, ou até mesmo pelo subsolo, preenchendo com seu brilho, todas as trilhas e os esconderijos mais secretos dos animais. Ouvia se aqui e ali, o sibilar de alguns animais rastejantes, misturados pelo canto alegre dos pássaros em meio á uma diversidade de sons emitidos de todas as partes que se confundiam aos ouvidos humanos não se podendo distinguir de onde provinham, porém tornando-se coro belíssimo da diversidade da vida existente ali.
À medida que avançava mata adentro, era como se milhares de olhinhos astutos de todas as cores, formas e tamanhos observassem quem por ali passasse. Era uma sucessão de corpos, pelos e cores que se emaranhavam por entre os galhos, se esgueiravam ou se assustavam fugindo ou se protegendo de qualquer presença que julgasse ameaçadora. Iam se embrenhando por entre as rochas, túneis ou esconderijos previamente incrustados no coração da verde mata.
Por entre os animais, havia os que se destacavam por terem orelhas grandes e pontudas e grande quantidade de pelos no corpo, de comportamento alegre e extrovertidos, estavam sempre a dançar e a cantar, independentes das funções a desempenhar.
Muitos outros de pele cinza e cabelos longos das mais diversas cores como violetas, azul, vermelho ou até mesmo branco, com narizes redondos, olhos aguçados, pequenina estatura transpassavam por entre as rochas e paredes de pedra, como se atravessa o ar, com tamanha facilidade e desenvoltura a elaborar suas tarefas rotineiras de acompanhamento e ajuda aos animais e seres desamparados, dando prioridade ao trabalho noturno.
Enquanto que outros manipulavam redes gigantescas de uma cor prateada meio que translúcidas inseridas de matérias densas pouco visíveis a olho nu, como que a reciclar esses elementos, transmutando em cores e formas variadas, para um novo renascer em meio à floresta, em perfeita harmonia com a natureza e todos os tesouros que nela se encontram.
Enquanto a vida corria célere nessa manhã primaveril, outros serem irrompiam á floresta tais como bolas e línguas de fogo desimantando tudo que havia pela frente, reduzindo a cinzas o que lhes transpassava ao meio, e na medida em que avançavam, chamuscavam os arbustos, lançando raios longínquos que se atingidos por espécie humana, ofuscariam a visão.
Com poder de tamanha transformação que desencadiavam tanto emoções positivas quanto negativas, chegando a bloquear energias negativas ou não produtivas suscetíveis aos corpos humanos. Iam purificando através da incineração os detritos de tudo que encontravam no caminho, permitindo assim o retorno dos respectivos elementos ao Sol para uma repolarização, conduzindo formas de vida, transmutando-as, tranformando-as.
Assim, seguia o espetáculo divino, com regente ainda menino, no seio da amada terra, que mesmo massacrada, não se faz triste e ainda resiste, seguindo firme nesse concerto divino, a apresentar-se ao palco evolutivo desse planeta denominando Vida.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Fadas do Ar/Rainhas do Mar

Ela caminhava lépida e faceira, com os cabelos soltos levemente encaracolados com o vento a brincar com os caracóis que se desalinhavam a cada movimento mais brusco, a saia longa e rodada num estampado suave e floral como a combinar com a bela paisagem florida que se desenrolava a sua frente balançava suavemente pra lá e pra cá, desenhando belo contorno de sua esbelta silhueta, os pés levemente adornados por sandália coral, rapidamente desciam as encostas das árvores....em seus braços, leve fardo se destacava, acrescentando maior beleza, tal o colorido de suas pétalas e folhas.
Descia com segurança á trilha ,quando se deparou com belíssima nascente, reluzindo num pequenino facho de luz, que parecia ter vida própria e que refletia insistentemente em meio aos musgos...As folhas dos orvalhos refletiam sua claridade em meio ao riacho que despontava majestoso em meio a paisagem.
Auscultou os ouvidos tentando distinguir os sons fantásticos que emanavam daquela paisagem deslumbrante, que avistara, e parecia leve sussurrar, suaves murmurar por entre os rios, cachoeiras e cascatas, os mais diversos e fantásticos sons que já ouvira e se misturavam a força e a energia que emanava daquelas águas límpidas e cristalinas.
Começou sua busca... Procurou as nos movimentos das águas, debaixo dela, nas formas energéticas que mantinha a limpeza e dirigia a correnteza seguindo seu curso, tentando tocar o emaranhado das águas que pareciam cabelos a deslizar por entre as rochas e arvoredos, desabando no encontro das águas multicoloridas.
Eis que leve desfile surge por entre esse manancial de uma beleza diafáma, vão surgindo tal como ninfas, a deslizar por sobre as águas como que a flutuar por entre elas, roubando-lhe toda a atenção e a admiração. Sendo elas de diversos nomes, cores, rostos, que mergulhavam ou deslizavam por entre as ondas, onde se denominam Ondinas, Meninas, Nereidas, Janaina, Sereia, Iemanjá ou sabe-se lá qual o nome que se dá afinal não se importam...
Iam e vinham meninas faceiras, alegres e risonhas colhendo seus apetrechos a se pentear e a perfumar, outras leves sereias a dançar, muitas outras se punham a cantar embalando com seus suaves e profundos acalantos quem as ousasse escutar. Exibiam o dorso nu, ou levemente adornado pelas cores dos cabelos longos e de texturas diversas que se intercalavam com as ondas que emergiam, a medida que submergiam num degrade de azul anil, contrastando por vezes na cor da verde mata, reluzindo espetáculo de rara beleza nessas águas claras e transparentes.
Alegres cantavam e recebiam suas oferendas... Felizes saudavam a paisagem amarelo alaranjado que se destacava por entre as copas das árvores, ora mudando de tom para um vermelho mais intenso, como que a reverenciar tamanho cortejo de belezas raras, charme e sensualidade.

Algumas mais audazes e experientes manuseavam com delicadeza e maestria todo o trabalho a ser ministrado e com tamanho empenho e serventia os realizava com afinco e desvelo, retirando das profundezas as mônadas e reciclando-as. Filtrando as impurezas incrustadas nos recônditos mais profundos até mesmo aquelas imperceptíveis a olho nú, renovando-as, para que por fim desabasse numa chuva de pequeninas gotas multicoloridas, confundindo-se com as cores do arco Iris e as diversas formas de vida e cores dos habitantes aquáticos que por ali passeavam despreocupadamente, habituadas com aquelas atividades rotineiras.
Numa rajada mais forte do ar, vento forte anunciava mudança dos ventos, e o céu cobriu-se num roxo acinzentado e um novo espetáculo se desenrolava agora a céu aberto.
Eram corpos voláteis com vestes de uma gase azul ou branca a se confundir com o vento, a pele branca e muita fina, contrastava com longo cabelo escuro, muito altas e esbeltas a se deslocar rapidamente pelo ar. Ora surgiam como pequeninas fadas do ar, deslizando por entre as nuvens, ou por vezes apareciam como senhoras dos ventos fortes cavalgando nas tempestades, deslocando as nuvens a provocar a chuva, intervindo no movimento das águas, remexendo-se em maremotos, revirando-se de ciclones, desencadeando nas mais diversas tormentas do tempo e no vento.
Num movimento repentino, deslizavam por entre as florestas, precipitando o processo das plantas, removendo as impurezas do ar.
 Outras em velocidade alucinante trafegam livremente pelo ar, inspirando paixões em forma de belas canções, pelas quais palavras esvoaçavam junto ao vento em forma de pensamento quando juntos em esplendor estimulam as mentes de quem as pressentem, identificando-se em processo de alquimia, para depois captar em forma de telepatia, voando aqui e acolá, não tem teto, muito menos lar, o firmamento esse sim é o seu lar.
Findo dia, lá ia ela, satisfeita a caminhar, mais um dia a recordar, novos mistérios a desvendar.




terça-feira, 19 de junho de 2012

Conexão

Essa interligação de mentes, pensamentos, lembranças contidas em sonhos, cenas, situações, deja vú, que todos sentimos em algum momento de nossas vidas. Lembranças contidas em sonhos ou mesmo em pensamento, ou aquela mesma sensação que a cena se repetiu ou repete-se constantemente num dado momento, situação que para muitos se tornam corriqueiro à medida que se acostumam, outros passam despercebidos, ou melhor, preferem não dar atenção ao fato. Um fato comum acredito que para muitos, é ouvir vozes, ou então seu nome sendo chamado, quem ainda não viveu essa situação? E não nos esquecemos dos sonhos, ah...os sonhos, quantas interpretações, quantas lembranças, simbologias, avisos, pressentimentos, ou premonições...E essa força em ação, denominada Energia, impregnada por todo o universo, em tudo e em todos, tudo que não podemos ver, mas sentimos, acreditando ou não, simplesmente sente-se e pronto, mudanças de energias refletidas de inúmeras formas, em móveis, objetos, roupas, utensílios, plantas, animais, vegetais e principalmente em nós mesmos...
Tem aquela questão das palavras que têm peso, e como têm... Eu penso e acontece, no dia a dia, é aquela pessoa que liga no momento que está prestes a ligar pra ela, ou alguém que vai ao teu encontro quando ia fazer o mesmo, ou a mensagem que enviou e a resposta que veio: ia te enviar um torpedo agora mesmo, ou aquilo que taaanto deseja, de uma forma ou de outra chega até você, pois você tanto pensou e quis e desejou... Palavras em ação, pensamentos direcionados através de recados, vontades, desejos, pedidos, preces, orações, não importa a forma, credo, crença ou até mesmo religião, acaba acontecendo, “o universo conspira a seu favor”, já dizia o escritor.
As redes e canais de comunicação, internet, satélite, e tantos outros chips, sensores, que não se restringe apenas ao nosso pequenino planeta, mais vão além do cosmo, sinais que chegam a todo o momento e de todos os lugares, que conseguimos captar através de sinais sonoros, visíveis ou invisíveis, através da mente, corpo, pele e coração...
A tecnologia avança a passos largos, numa velocidade alucinante que mal conseguimos acompanhar, estamos conectados, interligados via cabo, via rede, na vida, e além vida, na mídia, na rua, em casa, no pensamento, no apartamento, a titulo de reflexão... conexão essa é a palavra.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Amizade entre homem e mulher...Existe?

Há os que acreditam que se não houver interesse, sim... Porém algumas mulheres defendem a tese que só da parte delas, isso é possível... Muitos outros acreditam que há que se colocar um muro entre ambos, mesmo que seja fictício para que a amizade prevaleça. No entanto, pelo fato de serem esses dois universos tão diferentes, não seria algo que vem na essência de cada um? O que está enraizado, algo instintivo e que por essa razão torne tudo tão difícil entre ambos? E também pelo fato desse interesse que sempre surge de ambos os lados, e que muitas vezes há que se esclarecer, pode estar incluso em carências que muitos carregam em si e que não se consegue desvencilhar numa relação como esta, fazendo com que cada vez mais se confundam os sentimentos, interferindo assim uma vez mais... Na verdade, é isso: fala-se sempre e cada vez nesse assunto e por mais que apareçam opiniões diversas, nunca se chega a um consenso, deixo ai à questão, afinal de contas: Existe ou não?

Impotência...

A maneira como isso entra na nossa casa, na nossa vida, na vida dos nossos filhos, no dia a dia, enfim, de uma forma sutil, como se fosse algo completamente comum, ou melhor, é a forma com que tentam manipular nossos instintos e percepções para que isso tudo seja visto de uma forma comum e natural, quando verdadeiramente não é, definitivamente NÃO, e não adianta somente culpar o estado ou autoridades porque todos diretamente ou não são responsáveis simplesmente pelo fato de se fazerem participantes desse meio e obviamente usuários passiveis. A coisa vai muito além de religião, credo, cultura ou raça, isso atinge todo o planeta e não é de hoje, desde que estamos por aqui perambulando estamos compartilhando desse mal que assola a todos indistintivamente. O mais assustador atualmente, é que tudo é mostrado de maneira convidativa e sedutora a olhos vistos, coisas que anteriormente passava meio que velado, motivo pelo qual não deixava de ter a sua supra importância, mais ainda assim, restringíamos uma quantidade menor de adeptos. Fato é que a palavra do momento é Compartilhar, e o que deveria ser “compartilhado” por todos que trouxessem o que de melhor existe em cada um, infelizmente traz efeito contrário, compartilhar a tudo e a todos e a todo o momento, mesmo que esse compartilhamento acabe por inutilizar um ser humano para sempre... Pois infelizmente é esse fim trágico que acaba por acontecer com quem compartilha desde a idade mais tenra qualquer vicio ou droga ilícita, mas isso estamos cansados de saber... O que poucos sabem é a situação de quem é obrigado, (e eu digo “obrigado” porque na maioria das vezes assim o é), a acompanhar esse triste desfecho dessas pessoas sentenciados a viver, ou melhor, a sobreviver, pois na maioria dos casos, vida no sentido mais amplo da palavra, eles já não a tem, e a assistir tudo de camarote sem o mínimo de prazer e o que é pior de tudo a “compartilhar” essa sensação horrível de impotência total, que vai até o mais longínquo escaninhos da alma, sem se quer ter a chance de mudar essa situação, pois ou não está em suas mãos, ou não depende de nenhuma forma de sua vontade, a pessoa fica meio que aprisionada numa prisão fraternal de omissão e dissabor, regadas por um sofrimento continuo de dor e tristeza que chega à maioria das vezes ás raias da exasperação.Claro que existem alternativas, como sempre, afinal, sempre há uma saída, porém poucos conseguem enxergá-las, pois a porta é sempre larga e aberta a todas, as escolhas e as saídas é que são sempre apertadas, esguias, regradas e normalmente são sempre os dois caminhos a seguir: Amor, ou a dor, o duro é que o mais utilizado é sempre a segunda opção, infelizmente...Primeiro trilha se a dor que leva diretamente ao Amor, caminho inverso que não precisava ser necessariamente assim, mas enfim, escolhas, evolução e crescimentos de cada um...Aqueles que se deixam sucumbir, informação, ajuda de todos os tipos, e amor para vida toda, Aqueles que superaram, exemplos, fraternidade, eis o maior legado, e Aqueles que resistiram ou não se apetecem de tremendo mal, a alegria de saber, que um dia todos estaremos no mesmo patamar, e isso é o que mais conforta e alarga a esperança...sempre...
Nota: Eu ateei fogo na chuva, E joguei nas chamas, deixe queimar... (a meu ver, sensação de impotência) letra de musica...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Triste Despertar...

O dia estava lindo e convidativo para um passeio, ou quem sabe uma nova brincadeira, e a menina saiu a correr pelos campos, apreciando o cantarolar dos pássaros e de toda a natureza que a envolvia.
Ao passar pelo pequeno galpão, um cheiro delicioso a fez parar instantaneamente e como que automaticamente ela foi sendo atraída por aquele cheiro tão suave e agradável que lhe chegava ás narinas, dando-lhe aquela sensação de familiaridade, então meio que devagar e aos poucos foi adentrando, abrindo a porta...
Espiou em volta, e ninguém a vista, claro que não haveria importância alguma se entrasse e desse uma espiada, apenas isso pensou...
Porta adentro então, passou os olhos pelo local, de onde vinha tão delicioso sabor... Ao lado da mesa, bem um pouco abaixo de um fogão enorme de lenha, eis que havia um enorme tacho cheio de doce de leite, que pelo jeito acabara de ser feito pela mãezinha...
Hummm...mas que delicia, era mesmo seu doce preferido, mas ela não iria esperar até que lhe fosse servido, afinal, que mal haveria se experimentasse, só um pouquinho, ninguém iria perceber...
Procurou por uma colher, ajoelhou-se ao lado do tacho, pois este era enorme perto dela, mas podia alcançá-lo, mas a vontade era tamanha que ela não pensou em mais nada, começou a comer e a comer, e estava ainda morninho, do jeito que ela mais gostava e esqueceu-se do mundo lá fora, concentrando-se apenas no seu estômago e no apetite voraz de devorar toda aquela quantidade de doce até não agüentar mais...
E o tempo passou, e a menina depois de ter comido tudo quanto podia, não agüentou e o cansaço lhe abateu, num soninho gostoso e macio que parecia não deixá-la pensar em mais nada que não fosse apenas dormir, só um pouquinho...
E foi assim, em meio ás fagulhas das cinzas do fogão de lenha no chão, que deixou seu vestido todo acinzentado e o melado do doce espalhado por todo rosto e cabelos, que ela adormeceu pesadamente se deixando cair para debaixo da enorme mesa de madeira...
A tarde veio e a noite chegava e os pais da menina estavam preocupados com sua ausência, e nesse momento já haviam percorrido toda a região em busca dela, e nas vizinhanças e vasculhado a casa toda, incluindo pomar e quintal e nada dela aparecer...
Porém, eis que a mãe lembra-se de ter preparado pela manhã seu doce favorito, e avisa ao pai que talvez ela pudesse estar no antigo galpão, pois ali ainda não haviam procurado...
Correram então á busca desesperada, e qual não foi à surpresa quando ao entrar, se deparou com a menina num sono profundo toda lambuzada de doce...
A confusão foi tamanha e ela tão profundamente adormecida nem se apercebeu, o que a acordou de solavanco foram um barulho estridente de uma cinta em seu corpo, o estalido e a dor eram tamanhos que ela não conseguia emitir som algum, e seus olhos mal podiam ver quem a atingia com tamanha velocidade, os ouvidos não conseguiam atinar som algum, tamanho era a confusão em sua cabeça, o mundo parecia girar a sua volta, ela olhava e não conseguia atinar na imagem a sua frente, ela procura ouvir e não entendia, pois o único som que seus ouvidos registravam eram os do estalido feroz e incessante em sua frágil pele, cortando seu vestido e a maneira rude com que tudo acontecia, não dava tempo para que ela gritasse, ou implorasse por socorro, tentava correr, ou fugir dali, mas braço forte a atrelava, fazendo-a rodopiar várias vezes numa velocidade que ela não saberia o quanto iria suportar, até que finalmente, após exaustivo tempo que para ela parecia uma eternidade, tudo cessou, não havia mais sons, estalidos, dores, gritos ou lamentos, tudo parou de repente, e era só a escuridão que seus olhos puderam enxergar, e um silencio que seus ouvidos detectaram e seu corpo não mais suportava seu próprio peso, que embora frágil, se fazia demasiadamente grande e pesado, enfim tombou finalmente, e tudo passou, enfim, adormeceu...
Nota: A violência contra a criança infelizmente é algo comum, e a falta de divulgação e informação, aliadas á imaturidade por parte de pais e famílias desajustadas ainda causam danos e seqüelas nas vidas de muitas crianças...

Pingo de Chuva



Pingo de chuva na vidraça
Majestoso ballet das águas
Flutuam sobre os faróis
Em meio aos arrebóis
Pingo... Pinga... Pingo... Pinga...

Pingo de chuva no telhado
Pingo intenso, Pingo denso
Melodia suave, sinfonia perene
Embalam e ninam sonhos de menina

Pingo de chuva que toca o chão
Pingo de chuva na minha mão
Traz o vento, assopra
Entoa a tempestade
O ruído forte do trovão anuncia
Madrugada afora avisa
Majestosa sinfonia
Clareia, não mais mareia
Pingo de chuva é solidão

Pingo de chuva eclode nas tempestades
Traz o vento, abrevia o tempo
Tenta a sorte, quem sabe a morte
Lavando as casas, ruas e calçadas
Pingo de chuva a brincar na voz do vento
Suave escuto, não mais reluto
Pingo... Pinga...Pingo...Pinga...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Poesia da Amizade

Nascida irradiante, esplendorosa como o sol
Crescida, que se impõe em meio ao arrebol
Infiltrando-se nos escaninhos de minh’alma, a meu ver
Leves gotas de orvalho, refletindo-se nos pergaminhos do meu ser

Flor que desabrocha em meio às tempestades
Incontáveis dos nossos dissabores que ficou
Arrematando a tristeza em meio à frieza
Do peito, que se cubra a sombra de árvore
Na qual a amizade e a felicidade nos abrigou

Feridas velhas, que ardem ao encalço de minhas dores
Às vezes doces, às vezes podres, que transpassa o peito
E afaga a vida, que se não é mais bela, ao menos é bem mais terna
Quando dividida Eu posso, leve fardo se eleva, e não mais se enerva
Vejo que o pranto, nem sempre é o manto que encobre numa nuvem escura...

Brisa Lira suave, sopra ao vento, melodioso canto, eu sinto, danço
Penso,reflito, respiro e vivo, dedico á todos os amigos que se foram
A quem ficou, que somou, que passou na vida ou na além vida
A amizade que fluiu que restou e sempre existiu...

Dedico a todos os meus amigos, especialmente aqueles que não mais usufruo da presença amiga...




quarta-feira, 30 de maio de 2012

Reencontros...

Viemos de todas as partes
Todas as tribos, todas as raças, todas as cores
Aqui e ali, estamos sempre a nos reencontrar
Num pequeno gesto, ou um simples olhar é suficiente
Para desencadear em nós as mais diversas reações
São lembranças, memórias, recordações, aquela empatia instantânea
Os mais diversos tipos de sentimentos desencadeiam
Numa velocidade alucinante que na maioria das vezes
Fogem a nossa compreensão, mas não á percepção
Porém os olhos reconhecem
A pele sensível reage a um pequeno toque
Os ouvidos apurados
Escutam a voz interna da razão que emite o comando
Um tipo de sinal, ou alerta vermelho que nos diz
RECONHECIDO... E então, se inicia aquela busca
Desenfreada de gestos, atitudes, ações, investigações
No fundo há aquela certeza da identificação, da segurança
Misturados com aquela antiga familiaridade e na certeza
Que somos velhos companheiros ou até mesmo parceiros de jornada
Uma jornada continua rumo à felicidade,
Afinal, isso todos têm em comum, não há como negar
E estamos sempre nessa mesma busca, ora aqui, ora ali
E quando a identificamos
São os diversos reencontros de almas, corpos, mente e coração...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Amor Canino


Amor em tempo real
Amor total, integral
Que ama
E se deixa ser amado
Que sente
Entende, sem nunca ter falado
Nunca se nega a nada
Mesmo na dor
Expressão maior
De pureza e de amor
Em sua vida
Não se concebe o desamor
É terna
Intensa de amizade e de sabor
À noite
É guardião, forte, resoluto, absoluto
De dia
Menino, travesso, fanfarrão, brincalhão
Seu coraçãozinho puro favo de mel
Amigo leal, companheiro fiel
A você
Sempre todo meu imenso Amor.