sexta-feira, 29 de março de 2013

Fulgor - Haicai


Brisa após a chuva
Espelhos d'água
Trovoada...

Suave Despertar



O sol estendia seus raios multicoloridos, estendendo-se pela bela paisagem num tom avermelhado, onde próximo a rocha banhada pelo som da cachoeira que desabava mansamente eu descansava naquela manhã primaveril.
As horas avançavam e agora já num tom vermelho rubro do sol do meio dia, ele transpassava num tom agora alaranjado por entre as copas das árvores onde as cores cintilavam, brincando com as gotas multicoloridas que Caiam por sobre meu lado direito.
Deixei-me ficar sentido o frescor das gotas que escorriam por sobre o meu lado esquerdo, contrastando com o calor que gostosamente me alcançava pelo lado direito onde o calor de seus raios me alcançava, aquecendo-me brandamente.
As abelhas, atarefadas pousavam em meio às árvores frondosas e deixavam escorrer aquele doce sabor, agora disputado pelo beija flor que despreocupado não se apercebia que os raios de sol se intensificavam agora num tom violeta e banhava toda a paisagem ora Alanrajada.
A alegria e o canto doce dos bem-te-vis se contrapunham ao doce murmurar da cachoeira que agora desabava raivosa num ecoar profundo e melodioso por todo o vale, como que convidando a pousar os pequeninos pés adornados pela macia relva que mesmo descalços repousava sentindo o trepidar das formigas trabalhadoras atarefadíssimas em sua jornada de abastecimento diário.
As nuvens agora, num tom acinzentado, anunciavam chuva passageira, e num espreguiçar gostosamente, a alongar do corpo todo, me reanimo, num longo bocejar e lentamente retorno em meio ao arvoredo. 
Fim do dia.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Trilhas


Um verso, um trecho, um texto, uma palavra...
Uma frase, uma rima, poesia, fantasia, sensação...
Na mesa, a caneta, a tinta, a pena, o poema ou o verso...
Na estante, é o livro, o caderno, o tema, o texto, ou pretexto?
Abrir a alma e o coração, extravasar a emoção, romper a s cadeias que nos prendem desse universo de mentiras e ilusão, é a vida, é a lida, é o trabalho, é a construção...
E assim, vamos seguindo... Cai à noite, vem o dia, e o ser vivido, e o viver, na labuta diária de cada um, surge em meio a trovoadas, relâmpagos de indignação, lampejos de satisfação, alvoradas de iluminação, revoadas de alegrias, dissabores e melancolia... A alma anseia, clama pela chama divina, a paz tão ansiada, a felicidade divina, o amor que a todos permeia, e satisfaz as grandes massas dos nossos pesares da luta diária do dia a dia, que se refaz num singelo conto que eu não desconto o meu pesar, e levo apenas o meu caminhar um tanto terno, às vezes morno, de mil sabores, mas sempre lento e devagar, meu partilhar aqueles que usufruem os mesmos vivenciar, são os que eu tenho e muitas vezes eu penso, se faz presente, nas horas amargas ou mais felizes, ainda assim, eu nunca terei, pois não saberei o quanto eu fui e ainda sou na névoa cinzenta das trovoadas que embora passe ainda colore o céu de azul anil em cinza acobreado de nuvens rebuscadas estilhaçadas pela vidraça de minha alma despedaçada...oh...dor que ainda assalta-me nas horas ternas, se estás sofridas, nas horas belas, se estas amadas, e mesmo agora que estou assim...
E vamos seguindo, ora amados, ou odiados pelos olhares atônitos, de alegrias pueris, das mentes lúcidas ou entorpecidas pelo veneno torpe do desconforto que embora assuste, traz alívio ao que vivemos e aprendemos que a vida segue e se contorce a cada esquina quando nos deparemos com a realidade que embora duro seja o alicerce de nossas dores e dissabores que alimentamos o ego que nos permite alegria fugaz de pensar em renovar os conceitos, ou preconceitos sofridos pela hipocrisia de anos a fio, descortinados pelo peso que nos pesa na alma que ainda sofrida, revive a sina de uma vez mais alçar voo rumo a tão sonhada liberdade de expressão seja ela em versos, em prosa, num texto, a caneta, a mão, na televisão, no chão, na pedra, no vale, na caverna, nas águas, no lápis, no papel, no borel da escrivaninha, na mão da digitação, no portal da alma do meu viver...
Inspiração, alucinação, adivinhação, iluminação, intermediação, e quantos mais ãos, hão de ser na breve jornada do meu ser?
Descortinar, desbravatar esse universo da escrita, cabe a nós meros mortais, ou através de seres celestiais, encontrarem o termo que nos define e se afine com a nossa imaginação na trilha imersa das nossas paixões, é o enredo que mais se encaixa na nossa alma e assusta aos olhos com a ilusão que somos todos unos em coração, mas excedentes extremos de ilusão que por vezes torpe nos faz declinar, e por ora lépida nos faz viajar por alamedas, ruas e encruzilhadas nos escaninhos ternos e suaves da melodia que toca no âmago de nossa alma, oh...alma que anseia a vida, e a liberdade, outrora roubada e agora amordaçada requer o lume da correnteza pra seguir adiante retemperada de valores doces do bom viver nos velhos tempos áureos do nosso ser.