terça-feira, 14 de maio de 2013

Estilhaços...


Quando nossos sonhos são desfeitos, despedaçados quebrados, esvaziados e deixados ao chão...

Quando o coração fica pequenininho, e só de se lembrar, os olhos enchem de lágrimas e não conseguimos represá-las...

Sempre que nos vem essa sensação de tristeza profunda por ter perdido algo tão amplamente planejado, tão profundamente estudado, e tão secretamente desejado...

Nessa hora onde a alma chora silenciosamente, secretamente ela emite pequeninos sons de soluços entrecortados pelo barulho abafado dos trovões que relampejam dentro de si mesmo, esbravejando a fúria e a inquietude de se revoltar e protestar duramente  que você muitas vezes compreende, mas não aceita essa dor misturada e esse vazio que parece gelar o corpo e também por dentro de si mesmo, querendo apenas extrapolar a todos a sua tristeza em alto e em  bom som, mas que de repente você o abafa por compreender que apenas nada mais, poderia mudar tal situação, então essa voz se cala e apenas um profundo lamento se permite acontecer, seguidos de um breve  momento da reflexão...

Deverá ser esse o momento de resgatar as forças internas e trazê-las à tona, para mais uma vez juntar os pedaços dos sonhos partilhados ao chão, como pequeninos pedaçinhos de estrelas brilhantes caídas ao chão, ou perdidas na imensidão do céu azul, que embora muito longe, nós as sentimos, sabemos que reluz intensamente e ainda que  distante de nós... Brilham e resistem a tudo e a todos, sempre... Recomeçar...

sexta-feira, 29 de março de 2013

Fulgor - Haicai


Brisa após a chuva
Espelhos d'água
Trovoada...

Suave Despertar



O sol estendia seus raios multicoloridos, estendendo-se pela bela paisagem num tom avermelhado, onde próximo a rocha banhada pelo som da cachoeira que desabava mansamente eu descansava naquela manhã primaveril.
As horas avançavam e agora já num tom vermelho rubro do sol do meio dia, ele transpassava num tom agora alaranjado por entre as copas das árvores onde as cores cintilavam, brincando com as gotas multicoloridas que Caiam por sobre meu lado direito.
Deixei-me ficar sentido o frescor das gotas que escorriam por sobre o meu lado esquerdo, contrastando com o calor que gostosamente me alcançava pelo lado direito onde o calor de seus raios me alcançava, aquecendo-me brandamente.
As abelhas, atarefadas pousavam em meio às árvores frondosas e deixavam escorrer aquele doce sabor, agora disputado pelo beija flor que despreocupado não se apercebia que os raios de sol se intensificavam agora num tom violeta e banhava toda a paisagem ora Alanrajada.
A alegria e o canto doce dos bem-te-vis se contrapunham ao doce murmurar da cachoeira que agora desabava raivosa num ecoar profundo e melodioso por todo o vale, como que convidando a pousar os pequeninos pés adornados pela macia relva que mesmo descalços repousava sentindo o trepidar das formigas trabalhadoras atarefadíssimas em sua jornada de abastecimento diário.
As nuvens agora, num tom acinzentado, anunciavam chuva passageira, e num espreguiçar gostosamente, a alongar do corpo todo, me reanimo, num longo bocejar e lentamente retorno em meio ao arvoredo. 
Fim do dia.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Trilhas


Um verso, um trecho, um texto, uma palavra...
Uma frase, uma rima, poesia, fantasia, sensação...
Na mesa, a caneta, a tinta, a pena, o poema ou o verso...
Na estante, é o livro, o caderno, o tema, o texto, ou pretexto?
Abrir a alma e o coração, extravasar a emoção, romper a s cadeias que nos prendem desse universo de mentiras e ilusão, é a vida, é a lida, é o trabalho, é a construção...
E assim, vamos seguindo... Cai à noite, vem o dia, e o ser vivido, e o viver, na labuta diária de cada um, surge em meio a trovoadas, relâmpagos de indignação, lampejos de satisfação, alvoradas de iluminação, revoadas de alegrias, dissabores e melancolia... A alma anseia, clama pela chama divina, a paz tão ansiada, a felicidade divina, o amor que a todos permeia, e satisfaz as grandes massas dos nossos pesares da luta diária do dia a dia, que se refaz num singelo conto que eu não desconto o meu pesar, e levo apenas o meu caminhar um tanto terno, às vezes morno, de mil sabores, mas sempre lento e devagar, meu partilhar aqueles que usufruem os mesmos vivenciar, são os que eu tenho e muitas vezes eu penso, se faz presente, nas horas amargas ou mais felizes, ainda assim, eu nunca terei, pois não saberei o quanto eu fui e ainda sou na névoa cinzenta das trovoadas que embora passe ainda colore o céu de azul anil em cinza acobreado de nuvens rebuscadas estilhaçadas pela vidraça de minha alma despedaçada...oh...dor que ainda assalta-me nas horas ternas, se estás sofridas, nas horas belas, se estas amadas, e mesmo agora que estou assim...
E vamos seguindo, ora amados, ou odiados pelos olhares atônitos, de alegrias pueris, das mentes lúcidas ou entorpecidas pelo veneno torpe do desconforto que embora assuste, traz alívio ao que vivemos e aprendemos que a vida segue e se contorce a cada esquina quando nos deparemos com a realidade que embora duro seja o alicerce de nossas dores e dissabores que alimentamos o ego que nos permite alegria fugaz de pensar em renovar os conceitos, ou preconceitos sofridos pela hipocrisia de anos a fio, descortinados pelo peso que nos pesa na alma que ainda sofrida, revive a sina de uma vez mais alçar voo rumo a tão sonhada liberdade de expressão seja ela em versos, em prosa, num texto, a caneta, a mão, na televisão, no chão, na pedra, no vale, na caverna, nas águas, no lápis, no papel, no borel da escrivaninha, na mão da digitação, no portal da alma do meu viver...
Inspiração, alucinação, adivinhação, iluminação, intermediação, e quantos mais ãos, hão de ser na breve jornada do meu ser?
Descortinar, desbravatar esse universo da escrita, cabe a nós meros mortais, ou através de seres celestiais, encontrarem o termo que nos define e se afine com a nossa imaginação na trilha imersa das nossas paixões, é o enredo que mais se encaixa na nossa alma e assusta aos olhos com a ilusão que somos todos unos em coração, mas excedentes extremos de ilusão que por vezes torpe nos faz declinar, e por ora lépida nos faz viajar por alamedas, ruas e encruzilhadas nos escaninhos ternos e suaves da melodia que toca no âmago de nossa alma, oh...alma que anseia a vida, e a liberdade, outrora roubada e agora amordaçada requer o lume da correnteza pra seguir adiante retemperada de valores doces do bom viver nos velhos tempos áureos do nosso ser.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Resistências...


O que nos leva ao Pré Conceito de um modo geral, porque será que todas as vezes que nos deparamos com eles, difícil demais de se lidar, aceitar, então...
Por mais que tudo a nossa volta nos leva a crer que tudo isso faz parte de um passado remoto, ainda assim, surgem outros e mais uma vez caímos nas velhas e antigas resistências...
Seriam elas que nos leva a enxergar de forma diferente, ou algo incrustado por anos a fio em nosso inconsciente e num coletivo há muito tempo, que não nos deixam agir de forma diferente? O que acontece de diferente quando nos deparamos com um mendigo, prostituta, homossexual, negro, pobre, rico, caipira, mulato, amarelo, favelado, traficante, ou seja, ele qual for, afinal não são todos pessoas como nós? Com seus erros, defeitos, problemas, divergências como qualquer um de nós? Falar é sempre muito mais fácil mesmo, que isso não nos perturba ou incomoda, no entanto vivenciar, completamente diferente...
Dia desses ao passar por uma praça com uma colega de trabalho, ao ver alguns prostitutas recostadas, ela disse:
Eh...Vida boa, a essas horas, e olha só elas ai...essas sim, é que levam a vida...
Repliquei: Como assim Vida boa? Acaso você acha mesmo que elas levam uma boa?
Não obtive resposta...
Outro dia, assisti uma triste cena na saída do metrô, onde tive que assistir uma lamentável cena de dois seguranças xingando e empurrando uma criança (morador de rua), que aos empurrões se defendia como podia, e depois deles se afastarem, ela revidou atirando pedras, aos quais eles pego de surpresa, voltaram, agarraram e foram o arrastando até um gramado com os cassetetes em punho, e eu não agüentei assistir aquilo, quando cheguei próximo a banca de jornal , onde o jornaleiro juntamente com outros assistiam a cena, não agüentei e comentei...
- Mas é apenas uma criança...
No qual ele replicou prontamente,
- Isso não é criança não, é bicho, tá com pena? Leve ele pra casa?
Senti-me impotente diante disso, não consegui assistir o final do espetáculo e me afastei, direcionando uma prece a eles...
Enfim, cenas que muitos já devem ter presenciado, no entanto é aquela velha história, mais fácil aceitar quando acontece com um vizinho, um amigo ou até um parente distante, mais fácil de aceitar ou pelo menos, tentar, mas quando isso se encontra dentro da “nossa” casa, na “nossa” família, daí a situação é completamente diferente... E o mais complicado é o saber da opinião das pessoas na rua, na escola, no trabalho, mesmo quando somos compelidos a aceitar ou a conviver com algum tipo de preconceito dentro de casa, surge o fantasma da preocupação de não saber como a sociedade irá reagir quando souberem aquilo de “o que as pessoas vão dizer”, isso ainda tem um peso enorme, infelizmente...
Creio que a sociedade está mudando e se preparando cada vez mais para aceitar e acabar com velhos e antigos preconceitos, uma boa parcela se esforça e o melhor, a saber, é que as novas gerações felizmente já trazem na sua bagagem interior outros conceitos, tem um preparo melhor para lidar e nos ajudar a nos liberar de antigos valores irreais de superioridade desmedida, e isso é o que cada vez mais dá ânimo e forças para continuar nos esforçando, sempre com uma postura positiva, de igualdade, conhecimento e conscientização, pelo simples fatos de nos lembrarmos que afinal de contas somos todos iguais,  sabendo que dias melhores virão para todos nós, pois estamos caminhando e nos esforçando pra isso, eu acredito!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Os Exilados de Capela


A primeira vez que ouvi falar sobre a constelação de Capela ou a Constelação do Cocheiro, foi num slide em amostra de uma aula a respeito da criação, há muitos anos atrás...
O mais interessante, é que ao ver aquela constelação ali naquela foto da NASA, foi como se uma forte luz saída da foto viesse como um raio na minha cabeça e no meu pensamento, causando-me uma dor de cabeça insuportável, a partir daí, me vi obrigada a prestar maior atenção nessa constelação e obviamente me apressei em ler o livro do comandante Edgard Armond, falando a respeito: Os exilados de Capela... Obviamente adorei o livro.
Aos poucos aquela melancolia, aquela tristeza e saudade de não sei o que, talvez como se diga no livro, de um paraíso perdido, ou pessoas queridas, me foi mais bem compreendido á medida que ia me identificando com as explicações e informações do livro.
No entanto, tinha em mente um sonho lindo e triste de infância, que sempre fiz questão de mantê-lo vivo na lembrança, pois isso ocorreu entre 9 ou 10 anos de idade aproximadamente, difícil demais esquecê-lo:
Estávamos eu e muitos outros sentados envolvidos em roupas brancas, como simples túnicas de algodão, apreensivos e a espera de um orador, a tristeza e a ansiedade eram gerais, no entanto, eis que o orador se faz visível a todos nós e com uma profunda meiguice e austeridade nos dá uma reprimenda... O duro, é que todos já esperavam por isso, e cabisbaixo, envergonhado aos extremos, o ouvia sem saber onde esconder tamanha dor e sentimento de vergonha num misto de decepção e amargura, que o ia envolvendo e fazendo com que sua voz, outrora terna e compassiva se tornasse triste e sofrida, ao ponto de sentirmos toda sua decepção...
Muitos então choravam e se lamentavam, enquanto outros, firmes e rígidos não se abalavam, se pondo apenas a ouvir os conselhos do Grande Mestre...
Houve um momento, que ele parecia verter algumas lágrimas, e nesse ponto, a maioria não se continha mais, a também chorar cada vez mais, pois quem se controlaria num cenário desses? Era constrangedor demais... E nada mais havia a recordar... O sonho se foi... Ficando apenas vivo na memória...
Sonhos, lembranças, pensamentos, recordações ou devaneio, quem o sabe ao certo, no entanto sonhar com Jesus é algo que não se esquece facilmente... Eu particularmente nunca o esqueci, apesar de tanto tempo ter se passado, sempre que leio algo a respeito de Capela ou outro fato de planeta em transição ou algo assim sempre me recorda...
Essa semana, em especial, foi o filme explicativo sobre os Exilados, mas há ainda como se fosse a continuação dele, que é o Crepúsculo do Robson Pinheiro, ambos lidos e relidos, obviamente.
A sensação maior que fica é o amor verdadeiro e único por ele, disso não tenho mais dúvidas, se já o tive e me rebelei, hoje jamais, e essa sensação me enleva e me conforta, cada vez mais.
Se um dia, como tantos me exilaram, e fui banida, hoje resta à certeza da lição aprendida, e isso é algo que causa enorme alegria... Dessa lição aprendida a duras provas, mas necessária ao meu crescimento interior e evolutivo, espero levar o amor dentro do meu coração, ora antes alquebrado, hoje firme, talvez mais maduro e esclarecido, quem sabe mais terno e aprimorado no verdadeiro sentido da palavra Amor.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Coração



Coração que semeia
Coração em devaneio
Coração que espreita
Coração que espera
Coração que entrega...

Coração chora a dor
Coração sofre na dor
Coração sonha em meio à dor
Coração navega pela dor
Coração sonha e deságua a sua dor...

Coração alquebrantado
Coração Sobressaltado
Coração Desajeitado
Coração Desinteressado
Coração Desassossegado
Coração em Desalinho...

Coração de alegria
Coração em poesia
Coração de fantasia
Coração de alquimia
Coração de primazia...

Coração que se sustenta
Coração que experimenta
Coração que nunca mente
Coração que só atenta
Coração, somente sente...

Coração duvidoso
Coração audacioso
Coração caprichoso
Coração auspicioso
Coração maravilhoso...

Coração que clama
Coração que chama
Coração que anseia
Coração que permeia
Coração como o meu...
Coração como o seu...