sábado, 17 de novembro de 2012

A espera de Papai Noel


Aconteceu que antes da chegada dos pequenos, era apenas uma reunião familiar como outra qualquer de Natal, no entanto a partir do momento, que eles foram chegando, pensamos que além do tradicional amigo secreto, era preciso fazer algo que marcasse o natal das crianças, e foi onde imbuídos de um sentimento fraternal, resolveram montar a brincadeira...
A princípio foi comprar o traje, depois os acessórios, combinar com todos os pais em relação aos presentes, para que todos trouxessem na véspera e obviamente escolher o representante, e, olha tarefa difícil essa, pois todos se recusavam, alegando não levar jeito, vergonha, timidez, enfim cada qual com sua desculpa, no entanto alguém precisava tomar a dianteira disso, e já que ninguém se manifestava, ficou combinado que seria o pai de alguma das crianças, e que se não houvessem voluntários, seria pego “a laço” mesmo, na hora “H’...
Depois de algumas tentativas, por fim, eis que surge um voluntário, daí foi questão de combinar os detalhes, colocar os presentes no saco, preparar um local reservado para ficarem as escondidas, e esperar ser chamado...
Enquanto isso, o alvoroço era total na ante-sala, pois eram vários olhinhos brilhantes, sorrisisinhos e gritinhos a todo instante, aquela alegria inocentes, e a ansiedade era geral:
- Será que ele vai trazer o meu presente?
- Ai, e eu? Será que não vai se esquecer do meu?
- Bom, eu me comportei o ano todo, fui bonzinho, sei que ele vai me dar o meu... rs
- Oh... Eu, nem tanto, sei que aprontei algumas, será que vai se lembrar de mim?
- Eu, fui ao Shopping com a minha mãe, peguei aquela filona enorme, mas consegui, vi ele bem de pertinho, ele me pegou no colo, perguntou se tinha sido bonzinho o ano todo, e me perguntou o que eu queria ganhar, daí, falei tudinho o que eu queria ganhar...
- Ah... Mais eu também, além de tirar a foto com ele, deixei lá minha cartinha, eu e minha irmã escrevemos ela todos os anos, assim que ele aparece na televisão, minha mãe nos ajuda a preparar a cartinha e entregamos na mão dele, por isso, sei que o meu presente, ele não vai esquecer...
Era um tal de se correr pra lá e pra cá, para descobrir de onde ele viria, seria do teto? Da rua, do portão? Os mais velhos sabiam e diziam aos pequeninos:
- Claro que ele vem da rua, lógico, neh? Hoje em dia não existem mais chaminés, isso é coisa dos desenhos, vocês sabem...
- Pra mim, não importa, desde que traga o meu presente...
Eis, que nessa impaciência, alguém avisa:
- Criança Já está quase na hora do Papai Noel chegar, e ai, quem foi bonzinho esse ano?
- E elas em coro:
- Eu.., eu...e eu também...
- Está bem, então, pelo que notei, TODAS se comportaram o ano todo, certo? Então é só esperar, pois Papai Noel, já está prestes a chegar e ele está com o saco cheinho de presentes pra entregar a todos vocês...
- Uebááááaá.........Vivaaaaaaaaaa....ele já chegou? Onde ele está? Como ele veio? Tem trenó? E as Renas, elas existem mesmo? É, verdade?
- Calma crianças, uma pergunta de cada vez... Vou explicar...
- O Papai Noel, mora muuuuito longe daqui, e precisa ir a vários lugares para entregar presentes para as crianças do mundo todo, por isso, ele virá, mas não poderá demorar muito, pois precisa continuar entregando presentes a outras crianças nos outros lugares... Então, peço que todas agora, sentem-se, e abram a passagem, pois ele está prestes a chegar...
Antes de toda essa preparação, foi combinado com os pais e os irmãos mais velhos das crianças que a identidade do “Papai Noel”, seria preservada, que mesmo sabendo de quem se tratava, nunca diriam quem é, esse seria o segredo todos os anos, para manter a magia entre os pequeninos, e também porque independentemente de quem se passasse por ele, naquele momento, este seria verdadeiramente o Papai Noel, por isso, o nome era indispensável...
Acordo feito e aceito, o “Papai Noel” já havia se trocado, colocado os acessórios, o saco já estava cheio, faltava apenas à barba, e a barriga postiça... E é claro, não poderia faltar o sininho, afinal era ele que anunciaria sua presença ali...
Na outra sala, alguém avisa...
- Pessoal, o Papai Noel chegou!
- Eeeeeehhhhh....e os pais começam a puxar o grito de guerra, acompanhados pelas crianças em euforia total;
- PAPAI NOEL, CADÊ VOCÊ, EU VIM AQUI SÓ PRA TE VER!!!...e isso, se repetia com entusiasmo ao som de uma centena de palmas, e a alegria ia aumentando a medida que se começava a ouvir o som do sininho que tilintava fortemente no ar,e todos procuravam de onde viria o som...
Uns, olhava pra fora da casa, outros buscavam com olhar na porta da sala, outros olhavam para todos os lados, de onde ele viria, afinal? E o sininho continuava tilintando cada vez mais forte... Até que do alto da escada, que dava entrada para laje superior no quintal, eis que surgem duas botas pretas que iam descendo lentamente, adornadas pela roupa brilhante vermelha, e a figura do bom velhinho surge diante de todos, com o saco cheio de presentes, a dizer o famoso:
- Hou, Hou, Hou...Feliz Natal Crianças...
A emoção foi geral, as crianças gritando, felizes todas ao mesmo tempo, até os adultos, se deixaram levar pela emoção do momento, os olhares todos se voltaram para aquela figura doce e alegre, e... Inacreditável, mesmo sabendo quem era, naquele momento, algo mágico parecia ter acontecido, pois para todos era verdadeiramente o Papai Noel que chegou...
Ele foi conduzido para uma cadeira confortavelmente preparada para recebê-lo, ao som de inúmeros gritos e aplausos, sentou-se, e colocou o saco ao lado.
A assistente designada para ajudá-lo, pediu que as crianças se sentassem e fizessem silêncio, pois ele iria falar e fazer a entrega dos presentes:
- Feliz Natal Crianças, eu trouxe presente para todos... Mas antes queria saber de vocês, e ai como foram durante o ano, Se comportou?
- Siiiiiimmmmmm...
- Muito bem... Então vamos começar...
A partir daí, deu seqüência á entrega dos presentes, muitos com medo de se aproximar, assustados, pediam aos pais para pegar os presentes, outros iam chorando no colo, outros iam correndo, enfim, cada qual a seu modo, ia pegando o presente e saindo com aquela alegria e emoção no olhar...
Feito a entrega, ele passou uma mensagem ás crianças, desejou Feliz Natal a todos, e se foi rapidamente, alegando ter ainda muitas outras casas a visitar...
Assim foi o primeiro natal com a visita e a chegada do Papai Noel naquele lar, e daí em diante a magia se repetia a cada ano, e mesmo as crianças que iam crescendo, iam alternando a brincadeira com as recém chegadas, tinham em mente o segredo e o respeito de manter a identidade secreta dele, pois sabiam que para elas Papai Noel existia verdadeiramente falando, independente de ele ser fictício ou não, isso não importava, pois o bom de tudo é manter a magia e a fantasia viva dentro do coração, como uma chama que nunca deverá ser apagada.




Um comentário:

  1. É fundamental estimularmos nas crianças valores como amor, esperança e felicidade, tão difundidos e presentes no natal. Temos que preservar esses sentimentos e símbolos que tanto contribuem para a evolução e humanização das pessoas. Parabéns pela postagem. Beijo.

    ResponderExcluir