Ela caminhava lépida e faceira, com os cabelos soltos levemente encaracolados com o vento a brincar com os caracóis que se desalinhavam a cada movimento mais brusco, a saia longa e rodada num estampado suave e floral como a combinar com a bela paisagem florida que se desenrolava a sua frente balançava suavemente pra lá e pra cá, desenhando belo contorno de sua esbelta silhueta, os pés levemente adornados por sandália coral, rapidamente desciam as encostas das árvores....em seus braços, leve fardo se destacava, acrescentando maior beleza, tal o colorido de suas pétalas e folhas.
Descia com segurança á trilha ,quando se deparou com belíssima nascente, reluzindo num pequenino facho de luz, que parecia ter vida própria e que refletia insistentemente em meio aos musgos...As folhas dos orvalhos refletiam sua claridade em meio ao riacho que despontava majestoso em meio a paisagem.
Auscultou os ouvidos tentando distinguir os sons fantásticos que emanavam daquela paisagem deslumbrante, que avistara, e parecia leve sussurrar, suaves murmurar por entre os rios, cachoeiras e cascatas, os mais diversos e fantásticos sons que já ouvira e se misturavam a força e a energia que emanava daquelas águas límpidas e cristalinas.
Começou sua busca... Procurou as nos movimentos das águas, debaixo dela, nas formas energéticas que mantinha a limpeza e dirigia a correnteza seguindo seu curso, tentando tocar o emaranhado das águas que pareciam cabelos a deslizar por entre as rochas e arvoredos, desabando no encontro das águas multicoloridas.
Eis que leve desfile surge por entre esse manancial de uma beleza diafáma, vão surgindo tal como ninfas, a deslizar por sobre as águas como que a flutuar por entre elas, roubando-lhe toda a atenção e a admiração. Sendo elas de diversos nomes, cores, rostos, que mergulhavam ou deslizavam por entre as ondas, onde se denominam Ondinas, Meninas, Nereidas, Janaina, Sereia, Iemanjá ou sabe-se lá qual o nome que se dá afinal não se importam...
Iam e vinham meninas faceiras, alegres e risonhas colhendo seus apetrechos a se pentear e a perfumar, outras leves sereias a dançar, muitas outras se punham a cantar embalando com seus suaves e profundos acalantos quem as ousasse escutar. Exibiam o dorso nu, ou levemente adornado pelas cores dos cabelos longos e de texturas diversas que se intercalavam com as ondas que emergiam, a medida que submergiam num degrade de azul anil, contrastando por vezes na cor da verde mata, reluzindo espetáculo de rara beleza nessas águas claras e transparentes.
Alegres cantavam e recebiam suas oferendas... Felizes saudavam a paisagem amarelo alaranjado que se destacava por entre as copas das árvores, ora mudando de tom para um vermelho mais intenso, como que a reverenciar tamanho cortejo de belezas raras, charme e sensualidade.
Algumas mais audazes e experientes manuseavam com delicadeza e maestria todo o trabalho a ser ministrado e com tamanho empenho e serventia os realizava com afinco e desvelo, retirando das profundezas as mônadas e reciclando-as. Filtrando as impurezas incrustadas nos recônditos mais profundos até mesmo aquelas imperceptíveis a olho nú, renovando-as, para que por fim desabasse numa chuva de pequeninas gotas multicoloridas, confundindo-se com as cores do arco Iris e as diversas formas de vida e cores dos habitantes aquáticos que por ali passeavam despreocupadamente, habituadas com aquelas atividades rotineiras.
Numa rajada mais forte do ar, vento forte anunciava mudança dos ventos, e o céu cobriu-se num roxo acinzentado e um novo espetáculo se desenrolava agora a céu aberto.
Eram corpos voláteis com vestes de uma gase azul ou branca a se confundir com o vento, a pele branca e muita fina, contrastava com longo cabelo escuro, muito altas e esbeltas a se deslocar rapidamente pelo ar. Ora surgiam como pequeninas fadas do ar, deslizando por entre as nuvens, ou por vezes apareciam como senhoras dos ventos fortes cavalgando nas tempestades, deslocando as nuvens a provocar a chuva, intervindo no movimento das águas, remexendo-se em maremotos, revirando-se de ciclones, desencadeando nas mais diversas tormentas do tempo e no vento.
Num movimento repentino, deslizavam por entre as florestas, precipitando o processo das plantas, removendo as impurezas do ar.
Outras em velocidade alucinante trafegam livremente pelo ar, inspirando paixões em forma de belas canções, pelas quais palavras esvoaçavam junto ao vento em forma de pensamento quando juntos em esplendor estimulam as mentes de quem as pressentem, identificando-se em processo de alquimia, para depois captar em forma de telepatia, voando aqui e acolá, não tem teto, muito menos lar, o firmamento esse sim é o seu lar.
Findo dia, lá ia ela, satisfeita a caminhar, mais um dia a recordar, novos mistérios a desvendar.

Sua sensibilidade literária é literalmente impressionante!Aplausos em pé! Pela belíssima inspiração!
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